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8 de setembro de 2015

A corrupção e o inimigo de Fábio Jr, o tempo


O Jornal de todos Brasis
Por J. Berlange
A corrupção (transgressão da norma moral, legal ou costumeira) como conduta reprovável está presente desde sempre, em todos os lugares e a todo momento, na vida do brasileiro. É uma praga que colou e incorporou no DNA do jeitinho brasileiro de obter vantagens e privilégios. O corrupto é até prestigiado por seus iguais, quando exibe rápida ascensão no nível de vida e de patrimônio. É sinal de esperteza e inteligência...

A conduta do corrupto, por si, não é escandalosa. Escândalo é um fenômeno midiático. É a técnica de expor e manter em evidência os fatos que o dono do jornal decide não esconder do público. A força da imprensa, segundo Roberto Marinho, está na arte de esconder. É desta prática ocultante que advém a riqueza dos donos da mídia. O escândalo é uma técnica de marketing posta a serviço dos mercados e da política. É assim que a mídia trata “o fato” quando o desafio do marqueteiro é atrair e vincular, à “versão do fato”, sentimentos de amor ou de ódio, de esperança ou de medo.
A mídia, portanto, a serviços dos interesses que determinam a distribuição de riqueza e de poder, não tem compromisso com a verdade. Apenas usa a versão do fato como meio para alcançar fins escusos, adrede ocultados de suas vítimas, relacionados com a construção de preferências que determinarão as escolhas da vontade.

A função jurisdicional (juiz, judiciário) tem o fim operacional de investigar a veracidade do fato para fazer um pronunciamento final em termos de responsabilização (julgamento). Para isto, a atividade do juiz é indispensável e o seu exercício protegido por garantias constitucionais. O processo jurisdicional, em regra, é público. Excepcionalmente, deverá se desenvolver sob segredo de justiça, como forma de se proteger valores socialmente relevantes, em regra, relacionados com a preservação da dignidade e da reputação do ser humano e de seu patrimônio socioeconômico.

Neste mundo de tecnologia avançada, na investigação dos fatos, o testemunho das pessoas cada vez mais cede lugar de destaque para tecnologia de informação, suas redes e seus equipamentos de vigilância, rastreio, busca e interação. Nesta trajetória de avanço para que o domínio dos fatos seja feito por máquinas, redirecionar para a prova testemunhal o método de perseguir essa borboleta chamada verdade indica nonsense. Pior, ainda, quando o testemunho é feito por delação de infratores e à barganha de prêmios (vantagens, privilégios, tratamento diferenciado). Tal é o instituto da delação premiada. Um risco para o sistema de garantias da liberdade e da dignidade da pessoa humana.

Por tais motivos, esse retrocesso cobra uma compensação: a fase inquisitória (delação premiada) deve ser feita em segredo de justiça, tamanha a temeridade com os riscos: uma prisão preventiva não é feita porque o cara pecou, mas para evitar que ele venha a pecar.

Mas, como o objetivo imediato da Lava Jato não é verdadeiramente o combate à corrupção - que assola o País por meio de Licitações Fraudulentas desde o governo de Castelo Branco –, mas o de ajudar os partidos da oposição neoliberal e conservadora a retomar o governo que está encravado nas mãos do PT, vale tudo: a inquisição é seletiva, o processo é direcionado a produzir efeitos sentimentais nos eleitores (amor e ódio), a delação premiada é vazada para a imprensa golpista que esconde o que é bom para seus próprios interesses e transforma em escândalo o que prejudica a seus adversários. E se observe a distância que há entre a ‘prisão preventiva para a delação premiada’ (escandalizadas), o oferecimento da denúncia (também escandalizado) e o processo, no qual se fará, finalmente, a defesa do réu e o seu julgamento.

Na percepção fantasiosa e no discurso criminoso de Fábio Júnior: Lula, Dilma e Zé Dirceu estariam levando o país à desordem, enquanto esta mesma 'quadrilha' promoveria a maior roubalheira de todos os tempos no País. Quando, na verdade, é a Globo e a mídia golpista que promovem artificialmente o maior escândalo já planejado por marqueteiros profissionais, em todos os tempos. O artificialismo está na manipulação que oculta as datas em que os fatos foram praticados pelos delatores, todos demitidos da Petrobrás desde 2012.
E o Fábio Jr pensando (ou encomenando) que o escândalo que a telinha mostra hoje no jornal (e há mais de um ano), está acontecendo em tempo real... Como se a data do início da escandalização, e de suas fases, não tivesse sido escolhida a dedo por profissionais de planejamento contratados para servir a interesses do capital estrangeiro...


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