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21 de maio de 2015

A hipocrisia da punição aos ginastas que brincaram com o colega

Depois de polêmica, atletas da seleção brasileira de ginástica pedem desculpas a colega Reprodução/Instagram


Ao longo de minha vida, desde a adolescência, pude frequentar diversos ambientes: o do ativismo estudantil, o ambiente musical, o esportivo (em meus tempos da seleção de tênis de mesa da Caldense), o militar (no Tiro de Guerra), o jornalístico, o empresarial.
Os ambientes de maior camaradagem e menor preconceito sempre foram o esportivo, o militar e o musical. O esportivo ainda conseguiu a disciplina e o corporativismo do militar com a informalidade do musical.
Digo isso a respeito da punição aos três jovens ginastas por brincadeiras com o amigo negro.
O vídeo incriminador é claro. No começo brincadeiras com a cor do amigo. O amigo não gosta. Na sequência, os três gozadores pulam na cama do amigo, cobrindo-o de carinho para tirar-lhe a má impressão.

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Comentário de Alêminas
Aos 12 cheguei em Sampa, vindo do interior de Minas. Meu melhor amigo, que caminhava junto comigo 4 Kms ida e volta até a escola, era o Eduardo. Quem eu chamava de Negão. Ele me chamava de "larirarai". O apelido rolou porque, uma vez, sem querer, falei "ei larirarai"... Quem falava assim era um locutor de rádio, de um programa sertanejo que eu ouvia todos os dias, as 6 da matina, no interior, quando meu avô ligava o rádio. Pronto: meu apelido na escola, pregado pelo Negão passou a ser Larirarai. Ou seja, "caipira".
Éramos grudados. Ele vivia em casa e eu na casa dele! Nossas famílias se conheciam. Estudava, jogava bola, brigava, mas sempre ali. Seu pai era escrevente no cartório. Um dia (eu com 16, ele com 17 anos) mudaram para Uberlândia e com o tempo perdemos o contato. Três anos atrás, nos encontramos. Aliás, graças ao Facebook. Negão virou engenheiro civil e eu jornalista. Marcamos para comer uma pizza e tomar um vinho. Nós 2 e nossas mulheres.
Quando nos encontramos, imaginem, emoção total. Ele me chamou de "larirarai". Eu não consegui chamá-lo de Negão. "Fala, Edu", eu disse. Ele vendo meu constrangimento, brincou: "ficou com saudade do seu negão, né?". Bom, de lá para cá nos falamos toda semana. Eu chamo ele de Edu. Ele me chama de Alex. Mas lá no fundo gostaríamos que fosse: "Fala Negão. Falaí, Lari"... Ele tem dois irmãos mais velhos. Sempre me dizia: "Lari, você me respeita mais do que meus irmãos".

É muito estranho tudo isso que estamos vivendo. Vejo esses meninos que ficam 100% do tempo juntos. São racistas? Diante da lei sim. Não tem nem o que falar. Vão ser punidos porque têm que ser punidos! Mas qual de nós aqui poderíamos medir o grau de amizade entre eles? O respeito entre eles?  "Ah, mas falando o que eles falaram no vídeo, não tinham respeito nenhum!". É o que pensamos. Quem vazou o vídeo? Por que motivo?

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